Telma Bicho: Transforma Dor em algo Positivo
Telma Bicho: Transforma Dor em algo Positivo
Telma Bicho: Transforma Dor em algo Positivo
Telma Bicho: Transforma Dor em algo Positivo

Telma Bicho: Transforma Dor em algo Positivo

De olhos castanhos e arregalados, um sorriso tímido e voz doce, assim podemos descrever Telma Bicho, nascida em Lisboa e criada em Oeiras, a guionista de 35 anos de idade e mais de 20 vividos com uma luta interior que teimou em tentar controlar a sua vida. Com apenas 12 anos, Telma começou a sentir os primeiros sintomas daquela que seria a doença que a acompanharia até à idade adulta, a anorexia. Aos 14 anos visitou pela primeira vez uma psicóloga, e aos 17 começou a ser acompanhada por uma equipa multidisciplinar na área dos distúrbios alimentares. 

Com cerca de 1.72cm de altura (perdeu 1cm devido à doença), Telma chegou a pesar perto de 30 quilos. A guionista, de profissão, agarrou as rédeas da sua vida com força e superou esta provação. 23 anos depois, Telma está há alguns meses sem sintomas da doença. Conheça esta história de vida contada na primeira pessoa.

Telma Bicho Olhar

Consideras importante a partilha de casos de pessoas que sofreram e sofrem com a anorexia e a bulimia?

Sem dúvida! Acredito que a partilha de casos promove a consciência em relação à saúde mental e tem um impacto positivo na diminuição do estigma – que ainda existe! É importante mostrar como afetam a vida de quem com elas se confronta, bem como das famílias. No meu caso, faço ainda questão de partilhar que, por muito que se sofra - e não interessa quantos anos tenham passado e a que estado se tenha chegado - existe tratamento e é SEMPRE possível recuperar a saúde, em todas as dimensões. 

É importante saber-se que as consequências podem ser graves, incluindo a morte (a anorexia é uma das doenças mentais com maior taxa de mortalidade), mas não chega... As doenças do comportamento alimentar não estão à vista, não são doenças do corpo. O estereótipo de que uma pessoa com anorexia é alguém escandalosamente emagrecido, é só isso: um estereótipo. Claro que existem casos extremos, mas há muitas pessoas em sofrimento – homens e mulheres! – com comportamentos autodestrutivos, numa dor profunda e sozinhas...algumas porque têm vergonha, outras porque não acreditam ter solução, outras ainda por não se encaixarem no padrão que muitas vezes é veiculado na comunicação social. Se há sofrimento, é altura de procurar ajuda, até porque o tempo é um fator chave (apesar de não ser determinante) na recuperação.

Segundo a tua experiência, quais são as principais causas dos transtornos alimentares?

Não existe uma causa única. São complexos e multifatoriais. Estão envolvidos fatores como a genética, traços de personalidade, o ambiente em que se cresceu, traumas - no sentido da forma como a pessoa integrou algo que experienciou - entre outros. Claro que pode haver algum acontecimento na vida que desencadeie a expressão de um distúrbio alimentar, mas acredito que não será apenas uma causa isolada... quando começamos a mergulhar na própria doença, vão-se encontrando pistas que são uma espécie de solo fértil para que ela se instale.

Falemos de ti e da tua vivência com esta doença. Com que idade tiveste os primeiros sintomas? De imediato percebeste que era anorexia?

Sempre fui uma criança magra, sem quaisquer questões com o corpo. Não gostava muito de comer, mas fazia-o de forma livre... No entanto, sempre fui uma miúda muito sensível e, apesar de sociável, sempre tive o meu próprio mundo e refugiava-me muito na escrita e na música, para lidar com o que se passava cá dentro. A chegada da adolescência resultou num isolamento maior, porque não sabia lidar com as minhas próprias emoções e dei por mim mergulhada numa tristeza que não sabia explicar. Não havia uma razão e por isso não pedi ajuda... Achava que tudo em mim estava errado e com 12 anos comecei a restringir a ingestão de alimentos de forma autoimposta. Não fazia ideia do que era Anorexia. Lembro-me de ter fome, mas de achar errado comer, como se fosse um pecado ficar saciada... A sensação de controlo que isto me deu foi enorme e, de repente, parecia ter encontrado uma solução – ou uma distração – para lidar com tudo aquilo que me estava a consumir. Desviei completamente a minha atenção para este novo foco: controlar o que entrava em mim, que era, no fundo, mandar em alguma coisa na minha vida, já que o resto parecia estar fora do meu domínio. Nos primeiros anos, essa restrição era leve...eu crescia em altura e o peso não acompanhava, mas tenho um irmão muito magro e lembro-me de ouvir a minha mãe acalmar as suas próprias preocupações com essa justificação. Por volta dos 14 anos fui pela primeira vez a uma psicóloga porque a minha tristeza era cada vez mais visível, mas consegui não voltar lá... Eu não sabia bem o que tinha, mas não acreditava que alguém me pudesse ajudar.

Escondeste a doença da família e dos amigos?

Completamente. A minha relação com a comida era o meu maior segredo...e fazia de tudo para manter este comportamento escondido de todos. Não foi uma evolução rápida porque eu tinha pavor de ser descoberta... Não quero dar detalhes dos meus comportamentos (não por mim, mas por quem pode estar a ler), mas incluíam grandes jejuns para poder comer em família ao jantar, para que tudo fosse o mais “normal” possível...até que a doença ganha terreno e nos convence que isso já não é suficiente.

Com o passar do tempo, a magreza e a fragilidade foram-se tornando impossíveis de esconder... 

Telma Bicho com 30 quilos

Sentes esses anos como perdidos?

Não olho para a anorexia do ponto de vista de uma vítima. Acredito que a anorexia foi a estratégia de sobrevivência que encontrei para lidar com uma dor profunda e para a qual, na altura, não tinha ferramentas nem era capaz de pedir ajuda. A anorexia pode ter-me tirado muito – e há anos dos quais, simplesmente, não tenho memórias - mas também me tornou na pessoa que sou hoje...acho que sem ter passado por isto, não teria desenvolvido tanta empatia pelo sofrimento do outro nem esta vontade de me conhecer verdadeiramente. A anorexia levou-me a ultrapassar limites, a persistir cegamente...se eu conseguir usar essas características na direção certa, então consigo transformar dor em algo muito positivo...e sinto que é isso que estou a fazer... Não quero apagar a anorexia, nem esquecê-la...acho que até já consigo agradecer-lhe, por mais estranho que possa parecer. Fará sempre parte de mim.

Alguma vez sentiste vergonha de assumir a doença?

A anorexia na idade adulta não é encarada da mesma maneira que na adolescência... Fala-se menos.

E à medida que fui crescendo, fui tentando resguardar-me. Sentia vergonha por não ser capaz de superar (afinal de contas, tive muita ajuda!) e tinha imenso medo das reações dos outros. Mas no meu caso, em que nas recaídas o peso descia ao ponto de ter de ser internada, não havia como esconder.

Felizmente, sou uma sortuda por ter sempre trabalhado em empresas que me apoiaram em fases de maior fragilidade ou até quando tive de interromper um projeto para ficar meses no hospital. O meu caso é feliz nesse sentido, mas sei que não é sempre assim...

Lembras-te do exato momento em que tiveste consciência de que tinhas um problema? 

Acho que foi uma fase e não um momento. O pânico perante um prato de comida foi aumentando na medida da liberdade que a minha idade já permitia. Comecei a ter necessidade de mentir muito.

Inventava jantares de amigos que nunca existiram e passava horas e horas a andar. Quando comecei a sentir que não tinha por onde fugir, comecei a provocar o vómito após as refeições...e sinto que essa foi a decisão que mais prejudicou o meu processo de recuperação. Porque se torna um hábito extremamente difícil de reverter. Em primeiro lugar, parece que descobrimos a pólvora: “posso comer e, a seguir, livro-me de tudo!”. Mas não é assim, de todo...as consequências são desastrosas e o ciclo é mesmo muito difícil de interromper. Creio que tinha 17 anos. 

Quem foi a primeira pessoa com quem desabafaste?

Tive duas professoras muito importantes, que me mostraram que eu não tinha de carregar esta dor sozinha. As conversas aconteceram em momentos diferentes, mas eu senti sempre tanta culpa e vergonha, que não contava tudo. No final do secundário, por recomendação de uma das professoras, comecei a ser acompanhada por uma psicóloga. Passados vários meses de acompanhamento, decidi escrever uma carta e contar tudo...tentámos várias estratégias, mas eu não estava a conseguir resultados e foi então tomada a decisão de falar com os meus pais para que eu procurasse profissionais especializados em distúrbios alimentares. Sei que era imperativo fazê-lo, mas senti-me, mais uma vez, muito isolada. Fui eu a encontrar um psiquiatra e pedi para ir sozinha...mais uma vez o medo de perder o “controlo”. Acho que só quando ouvi o diagnóstico, dito pelo médico, percebi que era real, que tinha mesmo um problema.

Como era a tua reação com as pessoas? Deixavas que se aproximassem e ajudassem ou afastavas a família e os amigos? 

Isolei-me muito, mas, felizmente, também encontrei pessoas incríveis no meu caminho da recuperação. A minha família foi essencial e agradeço profundamente terem respeitado sempre o meu tempo... o desespero que esta doença gera, leva-nos a ter, por vezes, comportamentos inadequados. Eu tive alguma agressividade, principalmente com as pessoas que mais me amam, os meus pais...mas até aí me devolveram amor, por terem sabido diferençar a Telma da anorexia.

Estás curada ou sentes que ainda estás em recuperação? 

Eu acredito na cura a 100%. Conheço casos que não sentem qualquer traço de anorexia na sua vida...

Neste momento, posso dizer que não tenho sintomas. Tenho um peso saudável, faço a alimentação que quero, com a máxima liberdade e não estou em guerra com o meu corpo, pelo contrário: aceito-o, respeito-o e cuido-o. A recuperação sim, é um trabalho a tempo inteiro, sem direito a folgas, mas com um destino incrível, que é o de regressar à vida e a quem somos verdadeiramente. No entanto, para mim, este é só um passo do caminho que sinto que tenho pela frente...agora que a saúde física não é uma preocupação, nem me demoro em questões de peso e comida, estou dedicada ao trabalho interior, da consciência. Esta é a responsabilidade de cada um e uma escolha também...fi-la porque quero mais, preciso de mais...e a minha evolução passa por aí. 

Existe o preconceito de que as doenças psicológicas são facilmente curáveis, basta vontade própria?

Existem muitos preconceitos em torno da saúde mental...era tão bom que fosse "vontade própria"! Aceito que seja difícil de compreender e por isso sinto responsabilidade em divulgar, falar do meu próprio percurso, sempre que possível, e levar informação ao maior número de pessoas.

Há quem fale em “vozes” interiores que dizem para não comer e fazer muito exercício físico, isso aconteceu contigo?

Sim, no meu caso sim. Uma voz, ou uma sensação constante de uma espécie de entidade que vivia comigo... A anorexia estava sempre presente e quando tentava desobedecer-lhe a culpa era gigante e não me largava...foi por isso que, muitas vezes, cedi. A pessoa e a doença fundem-se...é como se deixássemos de nos pertencer. Era ela quem ditava todas as regras...da imposição do exercício, à escolha dos alimentos e à forma como me alimentava. E é por isso que recuperar é um compromisso enorme, que exige muita coragem...mas que é possível! 

Quantos anos tiveste na luta contra a anorexia? Qual foi o clique que te ajudou a chegar à cura?

São mais de 20 anos de muita luta, muitas tentativas de recuperação e recaídas. Mudei de psiquiatras, de psicólogas, de nutricionistas e estive cerca de 10 vezes internada em três hospitais diferentes...mas quero deixar claro que nada disto dita o grau do sofrimento: não é por aí que se mede...esta é só a minha história, o meu caminho. Quanto ao clique, não acredito que ele exista, tal como não se fica doente de um momento para o outro. A minha mudança foi sendo construída, com ajuda e também com a perceção de que eu tinha de ser a figura principal na minha recuperação. Ficar doente não é uma escolha, mas recuperar é e ninguém consegue “curar-nos” se nós não quisermos mudar.

Lembro-me de estar muito doente e de começar a ter a capacidade de desejar outra vida para mim...uma espécie de sonho de olhos abertos em que me imaginava curada, com toda a minha força...e acho que fui dando estrutura a essa intenção. No meu último internamento, foi o desespero e a exaustão que me ajudaram! Decidi, de forma íntima e muito verdadeira, tentar, mas à séria... Não prometi nada a ninguém, mas decidi que desta vez ia fazer o percurso até ao “fim”... Fiz o aumento de peso com relativa rapidez e a comer muito. Era preciso...enfrentei todo o desconforto físico (que existe) e todos os medos...foi como se os tivesse pegado ao colo, rumo a um caminho que eu sabia que tinha de fazer... Decidi arriscar porque senti que não aguentava mais continuar assim...e a vontade de morrer, que às vezes me assaltava, era morrer daquela (sobre)vida. Nunca mais voltei atrás, desde esse dia...e mesmo que no futuro alguma recaída aconteça, já valeu tudo a pena...a vida é incrível! Sinto-me mesmo afortunada.

Como é lidar com a dor física que a anorexia implica?

Nas fases de maior fragilidade, tive vários sintomas...desde frio extremo que leva a que o corpo produza uma penugem para nos proteger, falta de força...chegava a cair de escadas na faculdade e a ter de me sentar no meio da rua. Muitas quebras de tensão, nódoas negras no corpo todo. Muitos problemas gastrointestinais, perda de menstruação durante anos, muitas dores musculares, perda de dentes. Mas o nosso corpo é maravilhoso...neste momento a minha saúde está melhor que nunca e agradeço todos os dias ao que o meu corpo me permite fazer, depois de tudo aquilo pelo que o fiz passar.

Como era a tua relação com o espelho?

Eu nunca me vi magra, sempre tive dificuldade em perceber qual era o estado do meu corpo (este é um sintoma que não afeta toda a gente com um distúrbio alimentar, mas era o meu caso). Olhava-me muito ao espelho, mas sempre com repulsa. Fazia muitas medições com as minhas próprias mãos, mas tudo sempre envolto num enorme sofrimento... Para recuperar, decidi afastar-me do espelho. O corpo ia aumentar, não havia outra hipótese...por isso, para quê provocar esse mal-estar? 

Hoje em dia, não tenho qualquer problema em olhar...não adoro o que o espelho me devolve, mas aceito! Aceito que este é o corpo que tenho de ter para estar saudável e poder viver em pleno.

Alguma vez pensaste em suicídio? 

Lembro-me de sentir que não queria existir... A angústia era maior que eu e adormeci muitas vezes desesperada, a pedir com todas as forças para não acordar no dia seguinte. Porque eu não queria continuar com aqueles comportamentos, mas a minha vontade não chegava...e estava cada vez mais exausta e a sentir que só fazia sofrer as pessoas à minha volta, principalmente os meus pais.

Felizmente, nunca tive coragem de pôr fim à minha vida e hoje sei que não queria morrer, eu só não queria continuar a viver assim. 

A tua história, é uma história de superação. Quem foi a peça chave para o sucesso?

Não há uma peça, há um puzzle! E que vai permanecer em construção, porque continuo a ter a enorme felicidade de encontrar pessoas incríveis e que me ajudam muito. Desde os meus pais, amigos, professores, colegas de trabalho, a equipa de doenças do comportamento alimentar do Hospital de Santa Maria, e mais recentemente (há cerca de um ano) comecei um profundo trabalho de consciência que tem mudado a minha vida, com uma Facilitadora de Consciência. Por sorte, ou porque estava preparada, encontrei a Satya, que me tem acompanhado e ensinado a ver a vida de outra forma, em todas as suas dimensões. Recuperei uma esperança que não encontrava dentro de mim, fui a lugares que desconhecia mas que estavam lá à espera que eu os olhasse e tratasse. Acredito que o ciclo em que estava, de recuperação-recaída, não teria terminado se não tivesse começado este trabalho…é preciso ir muito além de tratar os sintomas, porque essa é só a superfície e a expressão visível de questões muito mais profundas.

Aprendi que a anorexia não tinha de morrer para eu começar a existir...abracei-a e encontrei um lugar para ela. E eu também faço parte do puzzle (precisamos de querer!) porque consegui descobrir cá dentro a coragem de arriscar. Atrevi-me a transformar o medo na maior aventura da minha vida!

Telma Bicho feliz

E agora? Quem é a Telma que o espelho reflete?

Tenho 35 anos, mas sinto-me uma criança a descobrir o mundo, a encontrar-me nele...e é incrível!

A anorexia deixou de ocupar todo o espaço e isso permitiu-me viajar para dentro, visitar todos os meus recantos e ver, ver-me de verdade. Ando nesta dança que é descobrir quem eu sou, o que gosto e o que quero... As possibilidades para o futuro são imensas!

O ‘não’ deu lugar ao ‘sim’ e tenho este compromisso comigo própria de experimentar coisas novas: dos sabores às vivências!

Reflete, sem dúvida, alguém que é hoje muito mais consciente do que era no passado...e esse trabalho da consciência tem sido a minha constante, o meu verdadeiro crescimento.

Hoje és uma Telma que quer ajudar outras pessoas que possam estar em sofrimento e sem direção. Como é que as pessoas podem acompanhar a tua história e os teus projetos?

Acredito que é muito mais difícil ultrapassar o sofrimento se estivermos sozinhos e o meu objetivo foi mostrar-me disponível, nem que seja para conversar.

Criei no Instagram a página @opesoquetensnaminhavida onde partilho a minha história, levanto a bandeira da esperança e entrevisto profissionais de saúde e outras pessoas que queiram dar o seu testemunho ou que possam partilhar ferramentas que eu acredito que sejam importantes no caminho da recuperação. Estou sempre atenta à caixa de mensagens, porque é aí que chegam dúvidas, desabafos, pedidos de ajuda...respondo a toda a gente, oriento para os lugares e profissionais que ache mais apropriados para a situação e estou lá, acima de tudo, para ouvir...porque é disso que a maioria das pessoas precisa em primeira instância: alguém presente, disponível e sem qualquer julgamento. No fundo, tento ao máximo ser aquela pessoa que a "Telma-miúda" gostava de ter encontrado, e a verdade é que recebo muito mais do que aquilo que dou...

Foi devido a esta transformação na minha vida, e porque vi e sinto as mudanças enormes que me têm trazido, que decidi ingressar na Awareness Facilitator School, da Working With Satya, que combina a aprendizagem integrada de técnicas terapêuticas modernas com sabedoria ancestral e meditação com o intuito de suportar o auto-desenvolvimento e a expansão da consciência.

Acredito que este trabalho faz a diferença…porque a sinto dentro de mim e no meu dia-a-dia, será ainda um caminho longo, mas que me enche de entusiasmo acreditar que vou poder proporcionar a alguém a transformação que vejo todos os dias em mim.