A Crise da Nossa Civilização

A Crise da Nossa Civilização

A era da estupidez e do absurdo...

Hoje assistimos de camarote à queda dos valores civilizacionais outrora conquistados, existe um ataque às Instituições que de algum modo estruturaram a sociedade ocidental. No campo da justiça, em particular no direito internacional, assistimos ao crescente desrespeito pelas regras básicas de convivência entre os povos. Neste campo os abusos generalizam-se escandalosamente, e pior, aos olhos de todos. Não há como negar — o sem vergonha saiu à rua e instalou-se.

Na educação, a queda verifica-se com o ataque generalizado ao valor que esta tem na formação de futuros homens e mulheres. A precarização, o esvaziamento e a desvalorização da tarefa e vocação de ser professor corrói o desenvolvimento das gerações futuras, limita-lhes o horizonte de vida, empobrece a sua identidade e o seu agir.

Hoje esvazia-se o fazer educativo, que de potencialmente transformador, massivamente se mecaniza, se descaracteriza, e por consequência perde a sua vertente humanizadora, plural e universalista. O que por essa via se testemunha, é um agir humano que se perde na repetição banalizada de atos genéricos, desumanizados, acomodados à máquina produtiva da educação que visa a produção futura e o lucro massivo.

Hoje formam-se funcionários, trabalhadores, formam-se entidades abstratas, numéricas, incógnitas, distantes. Hoje formam-se “desbussolados”, sem rumo, sem norte, sem destino. Hoje mais do formar ou transformar — a educação deforma, porque se fecha no currículo burocrata do gabinete ministerial. Pela burocratização desconfigura, instala a desumanização. Hoje, deformam-se pessoas.

A força de trabalho mecaniza-se, robotiza-se, desumaniza-se. A “inteligência” artificializa-se. Vangloriam-se aptidões programáveis, mecanizáveis, repetíveis, previsíveis, sem direitos de autor, sem autoria. A cábula virou estatuto, a máquina copia, e copia descaradamente. Ela não cria, recria através do já criado. Tudo vira parecença, parece que é, mas não é. Perdem-se os traços de originalidade, onde o “erro”, e o acerto, o “defeito”, e o perfeito, o provável e o improvável convivem no novo que o gesto e a inteligência humana podem gestar e festejar.

No espetáculo mediático de cada dia somos expostos à vertigem da notícia vã, ao esvaziamento da notícia de verdade, da verdade, da notícia séria. Notícia vã, banal e estúpida, que pela sua repetição em hélice nos faz voar para o terreno da alienação, onde apenas se pode pousar na burrice crescente, verificável no ataque ao pensamento, à inteligência, ao "bom-senso" (ao sentir e pensar bem). O "sem-sentido", a inadequação e a mediocridade conquistam o “prime time”. Tudo à medida do espetáculo, do ridículo, do embrutecimento do humano. A burrice, a insensatez, o desatino, a ineptidão, e o despropósito têm suprema ordem de despejo.

O ridículo virou notícia de primeira página e o absurdo abre os noticiários. Esta exposição repetida e prolongada ao "sem-sentido" abre a porta aos lugares da angústia, potencia a ansiedade, torna-se abrigo para a depressão.
O mundo — espaço de convivência e sentidos partilhados — descaracteriza-se. O mundo perde progressivamente o rosto humano, ganha feições de ganância, de conflito, de guerra, de desordem. Apesar disso, há quem tenha interesse na sua perpetuação.

A estupidez enraíza-se, prolifera. E espantem-se, não é que a Vida na sua alegria desvanece-se, dissipa-se, vira mal-estar. Mal-estar esse que é sinal e sintoma do sofrimento presente. Os sintomas atuais são polifónicos, ampliados, intensificados, rapidamente inscritos no cardápio desatualizado do compêndio que auxilia (ou não) no diagnóstico a realizar. Está tudo prescrito, circunscrito, protocolado...só que não. Toda a Vida, ainda que sofrida, que habita e que se expressa no humano não cabe aí, nunca caberá.

A Vida, se encontrasse lugar em algum livro, seria melhor vestida com todas as formas, com todas as palavras, com as fantasias, com as imaginações, os desejos e inquietações que a plasticidade poética lhe permite. Se livro existisse onde se descobre o humano, seria um livro de poesia.

Sem chão de Vida, sem sentido, as pessoas deambulam, as relações fragmentam-se e o Homem pulveriza-se. Urge urdir o tecido daquilo que nos humaniza. Urge ser tecido e tecer o Cuidado, a Utopia, o Amor. Urge ser poema, fazer poesia - uns com os outros. Todos.


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