A Família em Evolução
Famílias de hoje e de sempre...
A Família é um espaço privilegiado para aprender e crescer. A família é um sistema em transformação, assume várias formas e estruturas. Historicamente, a família não é uma estrutura fixa. Ela adapta-se aos contextos sociais, económicos e políticos. Ela é uma instituição social, cultural e universal, altamente variável nas suas formas, funções e significados.
Podemos falar de diversas estruturas familiares. Ao nível estrutural esta deve ser encarada de acordo com o seu dinamismo próprio, com a sua forma de relações, de acordo com os vários papéis que se podem assumir, em conformidade com as suas funções. Tudo isto é variável, moldável e transformável.
Hoje falamos de famílias no plural, não de família no singular. Hoje falamos de: Família tradicional (heteroparental); Monoparental; Homoparental (casais homoafetivos); Transparental; Coparental; Multiparental; Mosaico ou reconstituída/recomposta; Substituta ou adotiva, entre outras.
Apesar de todas estas mudanças na sua estrutura, o que é sempre reconhecível é a família como organização. Transforme-se ou não, uma família será sempre reconhecida como família pelas suas funções essenciais que asseguram o equilíbrio individual e coletivo dos seus membros. As funções familiares não são lineares nem isoladas. São moldadas pelas relações, pelos papéis e pelas fronteiras dentro da família.
Influenciam-se mutuamente e variam conforme a fase do ciclo vital, o contexto e a história familiar.
De um modo mais aprofundado podemos falar de funções básicas e essenciais e de funções parentais, universalmente constituídas, embora ajustadas às suas diferentes formas. Quando consideramos as funções, falamos de:
► Função Materna
► Função Paterna
► Função de Aprendizagem
► Função Histórica (de historiador)
Convém recordar que do ponto de vista psicológico e relacional ao falarmos de funções, estamos a falar de dinamismos independentes do género, ou seja uma mãe pode desempenhar uma função paterna e um pai a função materna, embora exista uma preponderância para a concordância com o que é esperado do género, o que não quer dizer que nesta abordagem (sistémica) exista algo tendencioso ou discriminatório. As funções, são antes demais dinamismos e símbolos. O que se espera de uma família funcional e saudável é que as funções circulem pelos seus diferentes membros, devendo-lhes corresponder a mais concordante com o seu género, ou seja, de um pai espera-se que desempenhe maioritariamente a função paterna (orientadora/estruturante/concreta) e da mãe a função materna (acolhedora/cuidadora/nutridora). Ambos os pais estruturam a função de aprendizagem, eles são os cicerones do novo membro num mundo que este desconhece e que terá que aprender.
A função histórica é decisiva para a formação da personalidade e sua identidade, particularmente num mundo cada vez mais fragmentado e fragmentário. Passado, presente e futuro são a roda viva e dinâmica na estruturação histórica e existencial do ser humano. Saber de onde vim e como estou é essencial para saber para onde e como vou. É fulcral para a pessoa, para aquilo a que dá forma, para aquilo que descobre que é. Esta roda viva é determinante no seu ser, no seu estar, no seu fazer. No seu ser, estar e fazer próprio, singular, individual e subjetivo que dá forma à sua pessoalidade.
Falamos também de funções relacionais tão importantes como:
► Nutrir
► Conter
► Orientar
Nutrir em tudo o que é alimento e afeto, alimentos decisivos para a sobrevivência emocional e para a estruturação do funcionamento de uma personalidade viável, adaptável e no caminho da saúde. Conter refere-se à função contentora, os pais-cuidadores devem ser contentores do conteúdo afetivo que circula, ou seja, devem acolher sensações, emoções, sentimentos e afetos de modo a que estes possam ganhar “agasalho”, “abrigo”, “hospitalidade”, é dizer, lugar, voz e vez. Conter é ser recipiente do que vem. Se uma criança apresenta temor, apreensão, medo, ansiedade, esta deve ter espaço no colo afetivo dos pais-cuidadores, de modo a que esse conteúdo possa ser transformado e devolvido, e desse modo assimilado com outra forma e de outro jeito. Para que possa funcionar como alimento, devidamente digerido, e não um resto de algo que não se integra nem se utiliza. Algo que quando assim é funciona como corpo estranho, como não fazendo parte do próprio, ou não podendo ser saudavelmente transformado pelo próprio.
Orientar, dar orientação, transporta em si a responsabilidade e a liberdade. Dar responsabilidade e liberdade sempre de acordo com a faixa etária e com prova de competência da criança.
Nutrir, conter e orientar estruturam-se ao longo do ciclo de vida familiar, nele os seus membros realizam aprendizagens básicas, das quais destacamos:
► Pertencer e separar
► Rejeitar e ser rejeitado
► Dar e receber
► Estabelecer relação entre direitos e deveres
► Estabelecer relação entre culpa e responsabilidade
► Estabelecer relação entre público, privado e íntimo
► Desenvolver a capacidade de estar só
► Estabelecer a relação entre o individual e o coletivo.
De tudo isto se depreende a importância de cuidar do espaço e do dinamismo que é o núcleo familiar, forjador dos Homens (terra fértil) de hoje e de amanhã. A família é um chão relacional onde se tece o presente e futuro com fios que vêm do passado, reinventam-se no presente e anunciam e destinam os vários formatos e modos do futuro.
Cuidar deste lugar é cuidar de um lugar de vida, de uma teia de laços afetivos, de laços e de espaços de possível amorosidade. Ser Família é ser tecido conjunto.
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