Inatividade: O Crescente Risco Nacional

Inatividade: O Crescente Risco Nacional

Ao contrário do passado, vivemos numa era em que a maioria das profissões “obriga” à ausência de movimento, o trabalho mental sobrepõe-se ao físico. Praticamos diariamente o levantamento da esferográfica intercalado com a deslocação do rato, mas sempre confortavelmente sentados. Os cerca de 600 músculos que constituem o corpo humano deixaram de ter relevância laboral (ou qualquer outro tipo de importância), choram e desesperam por algum tipo de atividade física, que teima em não aparecer.

As estimativas globais indicam que 27,5% dos adultos e 81% dos adolescentes não seguem as recomendações em vigor da OMS — mínimo de 150 minutos semanais de atividade física —, não tendo sido verificadas grandes melhorias nos últimos anos. Num planeta marcado por profundas desigualdades, a prática de atividade física segue a mesma tendência, sendo os indivíduos do sexo masculino oriundos de países e regiões com maior capacidade económica quem mais pratica.

E quando olhamos para o nosso cantinho do mundo?

Gostaria de dizer que estamos bem e recomenda-se; seria fantástico que os portugueses liderassem e marcassem o passo na Europa, o orgulho nacional... Mas não seria verdade! Infelizmente, os números não são nada animadores: segundo as últimas estimativas, 73% dos portugueses admitem que têm um modo de vida extremamente sedentário, sendo que apenas 34,2% praticam alguma atividade física regular (pelo menos uma vez por semana). A caminhada é a atividade física mais popular entre os adultos mais velhos, enquanto os jovens preferem os ginásios e correr. Em termos nacionais, não existem dados atuais e com elevado grau de fiabilidade; acredita-se que, atualmente, a realidade da atividade física em Portugal não seja tão má quanto os números acima indicam, mas, mesmo assim, a “pseudo” realidade ainda está longe do ideal.

Uma coisa parece óbvia: todas as entidades internacionais relacionadas com a saúde e o bem-estar estão de acordo entre si — o ser humano precisa de ser fisicamente ativo. Mas, apesar das recomendações, a população continua a não se querer cansar, muito menos suar.

O que se passa? Estarão essas entidades enganadas? Haverá, neste assunto, alguma margem para o negacionismo?

Seria difícil conseguir um consenso entre psicólogos, psiquiatras, médicos, gestores, economistas e profissionais do exercício? Ora vejamos o que dizem...
Ponto de vista dos psicólogos e psiquiatras:

Segundo a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM) e a OMS, a depressão é o problema de saúde mais prevalente na União Europeia, afetando cerca de 50 milhões de pessoas. A saúde mental é a segunda maior causa de incapacidade laboral. Portugal é o quinto país da Europa com mais casos; a depressão afeta aproximadamente 8% dos portugueses (não é coisa pouca).

A prática regular de atividade física traz inúmeros benefícios para a saúde mental, principalmente quando realizada ao ar livre e/ou ao ouvir música, estimulando o aumento dos níveis de endorfinas que proporcionam sensação de bem-estar.

Um grande número de estudos confirma a eficácia da realização de atividade física regular na prevenção do declínio cognitivo, no alívio do stress crónico, da ansiedade, da depressão, proporcionando um sono reparador, elevando o desejo sexual, retardando o envelhecimento e trazendo uma maior sensação de bem-estar.

Ponto de vista dos médicos

A prática de exercício é um “medicamento” natural e fortalece o indivíduo contra doenças, proporciona uma oxigenação mais eficaz do organismo, aumenta a imunidade, melhora o funcionamento do coração, favorece a produção da fração boa do colesterol (HDL) e ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, prevenindo uma série de distúrbios metabólicos, principalmente as doenças cardiovasculares e a diabetes.

Ponto de vista dos gestores e economistas

Se a população portuguesa fosse ativa (infelizmente ainda não o é), ou seja, rotinada com a prática de exercício regular, isso levaria a uma enorme poupança de recursos financeiros, nomeadamente nos hospitais e farmácias. Nessas circunstâncias, seria perfeitamente possível que o Ministério da Saúde oferecesse melhores cuidados de saúde gastando metade do orçamento atual. Essa poupança poderia ser canalizada para novas políticas de investimento público reprodutivo. Portanto:

País mais saudável = País mais rico.

Segundo os profissionais do exercício

Para além de tonificar o corpo e ativar os músculos da forma mais natural possível, a prática de exercício é fundamental para a melhoria da força, reduz o risco de lesão e de quedas, promove o aumento da densidade mineral óssea e melhorias a nível do controlo motor.

Quando o assunto é praticar ou não exercício, nem se pode falar em debate — já passámos por essa fase. Há um consenso alargado entre todos os ramos da ciência: temos mesmo de praticar atividade física.

Por que não o fazemos? É uma pergunta de difícil resposta.

Muitos portugueses culpam a falta de tempo e a falta de motivação. Alguns estudos sugerem que o sedentarismo pode ter raízes culturais; outros associam a inatividade física aos níveis de rendimento. Enfim…

E tu? Qual é a tua desculpa? Por favor, mexe-te!


Gostou do texto? Deixe abaixo a sua reação e comentário... smiley


Ver também |

O Poder Nutricional da Castanha

O Poder Nutricional da Castanha

A Família em Evolução

A Família em Evolução

Pronto para a próxima aventura? Escolhe alojamentos com o Selo Draft World Magazine e viaja com confiança! ✈️ Reserva já!