Alterações climáticas: Pressão sobre os ecossistemas
Alterações Climáticas: Dá que pensar!
As alterações climáticas deixaram de ser meras antevisões do futuro, é inegável que já estão e vão, cada vez mais, influenciar drasticamente o planeta, vão definir onde iremos viver, como nos vamos deslocar, o estilo de vida que vamos ter, o que comemos ou quantas vezes tomamos banho. Não se trata de um problema regional, está a afetar todos os países em todos os continentes, perturbando as economias nacionais e ameaçando a qualidade de vida dos humanos e dos animais.
Estão em andamento mudanças em grande escala e de longo prazo nos padrões climáticos e nas temperaturas do planeta, cada vez mais se percebe que os eventos climáticos extremos estão a ocorrer com uma frequência maior, de uma forma mais severa e devastadora.
Até à revolução industrial, que terá começado de forma progressiva no final do século XVIII, o planeta apresentava temperaturas médias relativamente estáveis.
Podemos dizer que o início do fim começou entre 1760 e 1840, altura em que os humanos começaram a queimar combustíveis fósseis como o carvão, o petróleo e o gás natural. Por um lado, o desenvolvimento da indústria contribuiu fortemente para a qualidade de vida que temos hoje, mas por outro lado, a queima de combustíveis fósseis para além de produzir energia, liberta gases de efeito estufa na atmosfera (dióxido de carbono, metano e monóxido de nitrogénio).
200 anos de intensa produção, inevitavelmente levaram à acumulação desses gases na atmosfera terrestre, excluindo os anos anteriores, só o século XX e XXI foram responsáveis por uma subida de 40% dos níveis de dióxido de carbono. A acumulação destes gases está a ser responsável pela subida das temperaturas no planeta.
Qualquer pessoa minimamente atenta já percebeu que quando o assunto é alterações climáticas, não estamos a fazer “futurologia”, infelizmente é uma realidade que está entre nós.
Acha que não?
Ora vejamos o que aconteceu nos últimos 45 dias no mundo…
► No dia 25 de junho uma onda de calor (com temperaturas próximas dos 50º) varre a Colúmbia Britânica, especificamente, a pequena cidade de Lytton, no sul do Canadá.
► No dia 2 de julho ocorreu uma onda de calor na Índia, nomeadamente nos estados do Rajastão, Haryana e Nova Deli, onde foram registadas temperaturas na ordem dos 40 graus, as mais altas registadas nos últimos 20 anos.
► No dia 3 de julho, chuvas torrenciais provocaram um poderoso deslizamento de terra em Atami, a cerca de 90 quilómetros de Tóquio no Japão.
► No dia 4 de julho as temperaturas ultrapassaram os 50 graus Celsius no Iraque, fizeram colapsar o sistema elétrico nacional.
► No dia 7 de julho a tempestade tropical Elsa atingiu com tornados o sudeste dos Estados Unidos (estado da Georgia).
► No dia 17 de julho, Alemanha, Bélgica e Holanda debaixo de água, cheias históricas fizeram avultados prejuízos e centenas de mortos.
► Dia 5 de agosto, incêndios avassaladores na Grécia e Turquia. Mais de 180 incêndios florestais queimaram enormes extensões de floresta ao longo de quase todo o perímetro das costas do Egeu e do Mediterrâneo na Turquia.
► Dia 8 de agosto na região da Sibéria (Rússia), estiveram 155 incêndios florestais ativos.
► O incêndio junto ao Ebro, em La Pobla de Massaluca (Tarragona), que obrigou à evacuação preventiva de um parque de campismo, atinge atualmente uma área de cerca de 33 hectares, todos na área natural protegida dos Tossals d'Almatret e Riba-Roja.
► Calor extremo e incêndios assolam países do Sul da Europa e Mediterrâneo.
As alterações climáticas constituem uma pressão adicional sobre os ecossistemas, levando muitas espécies vegetais e animais (e futuramente os humanos) a deslocar-se em direção a norte ou para locais mais elevados. Tem impacto em setores como agricultura, a silvicultura, a produção de energia, o turismo e as infraestruturas em geral.
As regiões europeias particularmente vulneráveis às alterações climáticas:
► O sul da Europa (Entre outros países destaca-se Portugal) e a bacia do Mediterrâneo;
► As zonas de montanha;
► As zonas costeiras, os deltas e as planícies aluviais;
► O extremo norte da Europa e o Ártico.
Os acontecimentos extremos relacionados com o tempo e o clima estão a tornar-se cada vez mais frequentes e intensos. Mesmo que os esforços globais com vista à redução das emissões sejam suficientes e eficazes (que ainda não são), algumas alterações são inevitáveis…
Dá que pensar, não dá?