Saberes e Sabores para a Vida

Saberes e Sabores para a Vida

O amor à sabedoria é um despertar para ver e mudar o nosso mundo.

Merleau-Ponty

Há um saber intrínseco à vida. Um saber revelado através da humanidade, um saber que vale a pena descobrir, entre mitos, histórias e contos, legados pelos diferentes povos e tradições.

Na diversidade e pluralidade de cada um e cada uma, somos convocados a realizar um caminho de descoberta individual e coletiva para melhor sabermos de onde vimos, quem somos, o que queremos e para onde vamos.

É o nosso destino a plenitude. O sentido, a realização paulatina daquilo que somos. Como afirma Diane Dreher: “cada forma tem sua própria expressão, cada flor seu perfume, cada pássaro sua canção”.

Onde se encontra o caminho para a sabedoria?

"(…)

Ao andar se faz o caminho

e ao olhar para trás,

se vê a senda que nunca

se vai voltar a trilhar (…)"

António Machado

Sabedoria é um sentir-pensar-fazer, é um conhecimento somado à inteligência consciente, direcionado para todas as atividades do Homem. A sabedoria é um pensamento temperado pela ética e concretizado na ação. A Sabedoria é um saber e um sabor de si, do mundo e do outro.

É útil fazer este caminho e desenvolver a amizade à sabedoria?

Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil;

Se não se deixar guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil;

Se procurar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil;

Se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil;

Se dar ao ser humano os meios para ser consciente de si e das suas ações for útil;

Se desenvolver uma prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia (o amor à sabedoria) é o mais útil de todos os saberes [e caminhos] de que os seres humanos são capazes, afirma a filósofa Marilena Chauí.

Ao sermos permeados pela sabedoria transformam-se as nossas falhas em aprendizagens, porque aproveitamos a lição dos erros. A nossa desesperança não perde rumo, porque é portadora da fé e se metamorfoseia em esperança passiva e ativa. Passiva porque sabe que a seguir à chuva vem o sol, e ativa, porque a seguir à pausa, coloca-se em marcha.

A sabedoria dá outra forma à tristeza porque infunde alegria. A pessoa tocada pelo sabor do saber íntimo permite-se viver, permite-se sorrir.

Ao nosso orgulho, ela leva humildade, não fica na angústia, acolhe-a e segue o seu caminho próprio, porque é autêntico e seu. Não segue o caminho encarreirado dos outros, principalmente quando se tratam de fórmulas alheias, estranhas a si. Quando passa pelo orgulho, trabalha a humildade. Ao não saber, cria. Ao que não existe, sonha, e quando menos imagina a obra nasce. Fernando Pessoa, sabia-o: “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce”. A sua obra realizou-se na pessoa que foi e ganhou forma em seu pensamento vital. Pessoa é um legado que ainda pulsa, é uma ponte que se apresenta e que segue como flecha norteadora, a sua obra orienta-nos na procura de horizontes futuros. Para finalizar lembramos Almada Negreiros:

“[…] Se o mundo onde cada um deseja viver não existe, é único o recurso: imaginá-lo e ir por ele”.

Para tal urge atuar, participar, escolher, decidir, realizar. Saibamos assumir o exercício da nossa liberdade individual e cidadã. Os tempos correntes assim o pedem. Assim seja com sabedoria e liberdade. Cada ação nossa compõe o elo do laço social e coletivo no qual estamos inseridos. O futuro faz-se em cada escolha, em cada gesto, em cada ação. É decisivo ir além, não ficar aquém.


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