A Grandeza dos Glaciares da Islândia
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A Grandeza dos Glaciares da Islândia

A Grandeza dos Glaciares da Islândia

Diário de um Viajante Compulsivo

À Descoberta da Islândia — 2ª paragem: Langjökull

Não é à toa que o nome desta ilha-nação nos remete para a sua natureza gelada. Afinal “Iceland” transporta-nos para a rudeza dos seus glaciares, os icebergues que povoam as costas setentrionais, já a tocarem o Círculo Polar Ártico.

Rumar à Islândia e não descobrir a majestade dos seus glaciares de forma alguma tornaria completa a experiência da viagem que realizei àquele que se tornou num dos meus destinos de eleição.

O país mais ocidental da Europa é também aquele que detém a maior área gelada, já que onze por cento do território encontra-se coberto por glaciares. Ao longo dos últimos anos o volume dos depósitos, das correntes e dos vales glaciares têm diminuído drasticamente e a um ritmo acelerado, fruto do impacto das alterações climáticas. Mesmo assim, a “terra do gelo e do fogo” ainda conserva impressionantes mantos brancos, onde se destacam as paisagens épicas de Vatnajökull (que em islandês se traduz como "Glaciar dos Lagos", com uma extensão de mais de 7 mil e 900 km² (o segundo maior da Europa, depois da calota de gelo da ilha de Severny, na Rússia, com 20 mil e 500 km²) e de Langjökull (“Glaciar Longo”, em Islandês), com 800 km². Foi precisamente este último que tive a oportunidade de descobrir in loco, adentrando no reduto do mais importante circuito turístico-cultural da Islândia: o Círculo Dourado.

Thingvellir

Partindo da capital, Reiquiavique, seguimos em direção a Haukadalur, uma região de elevada atividade geotermal, mas não sem antes realizar uma paragem fundamental em Thingvellir (na fotografia). Neste ponto encontramos a falha tectónica onde as placas americanas e euro-asiática se tocam e que divide a ilha literalmente a meio, entre as massas dos dois continentes. Menção ainda para a importância cultural deste lugar, já que as crónicas referem que, no ano 930 da nossa era, aqui terá sido fundado, pelos viquingues, o mais antigo parlamento da história, o Althing.

Chegado a Haukadalur logo se me despertam os sentidos para o cheiro a enxofre que se faz sentir, expelido pelos geiseres, lamas e fontes geotermais. Vale a pena, antes de seguir viagem para a “agonia branca” de Langjökull, investir um tempo para nos maravilharmos com as “explosões” do Geysir e o azul translúcido de algumas das poças hidrotermais. À minha espera já estava o mega camião, vestido de negro, que me levaria ao coração glaciar da Islândia.

Thom ao centro o motorista do camião-glaciar e Juan Ramirez, líder da expedição a Langjokull

Fotografia | À esq. Artur Filipe dos Santos. Ao centro, Thom, o motorista do camião-glaciar e Juan Ramirez, líder da expedição a Langjokull

Impressiona só de olhar para a dimensão dos pneus que tornam possível a capacidade deste veículo sulcar a superfície gelada de Langjökull: oito pneus articulados de um metro e 20 de altura e mais de 50 cm de espessura, para fazer frente ao relevo desafiante e escorregadio da paisagem. Thom, o motorista do “monstro” motorizado, calcula a pressão ideal dos pneumáticos para que a viagem corra como o previsto.

Campo Base

Quase trinta quilómetros separam Haukadalur do campo-base de Geldingafell (na fotografia), última paragem técnica antes de atingir o destino desejado. A partir daí os tons terra da paisagem dão lugar a uma das bonitas visões brancas que me recordo. São quilómetros e quilómetros de um lençol que parece interminável ao olhar, inóspito tanto para a visão como para os restantes sentidos, já que nada à volta existe, nem fauna ou flora, só a brancura da neve que parece acabada de cair, o gelo que até há bem pouco tempo acreditávamos ser eterno e um silêncio pacífico que nos parece transportar para o fim do mundo. Em certas alturas do ano é possível até explorar grutas completamente feitas de gelo azul e transparente.

Antes que o mundo acabe vale realmente guardar a memória de Langjökull.

Na próxima crónica mergulhamos no calor da Lagoa Secreta e da Lagoa Azul. 


Fotografias | Cortesia de Artur Filipe dos Santos

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