Covid sem Fim à Vista
Bem sei que estamos todos fartos de ouvir falar de covid-19, concordo! Após o desconfinamento físico urge a necessidade de libertar a mente e lamber as feridas emocionais e sociais que ficaram.
Mas… É sempre bom e útil sabermos o que se passa “lá fora”, com base nos males dos outros podemos fazer uma gestão nacional de saúde pública mais eficiente.
Já diz o ditado “o conhecimento não ocupa lugar”.
Apesar da situação Portuguesa estar boa e estável, seja nos novos casos de infeção, na severidade ou nas taxas de vacinação, tudo indica que ainda temos pela frente cerca de 8 meses de pandemia (correndo tudo bem). Se bem se lembra, a pandemia foi decretada pela OMS no dia 11 de março de 2020 e, de acordo com a evolução da vacinação a nível global e tendo em conta as previsões de produção e distribuição das ditas vacinas, tudo indica que a mesma entidade possa declarar o fim da pandemia de Covid-19 algures entre junho e julho de 2022.
São 19 meses de calvário, e as crianças que nasceram no início desta pandemia?
A julgar pelo grau de evolução do meu filhote mais novo, aos 19 meses certamente já tinha a dentição de leite quase completa, ou seja, os 20 primeiros dentinhos. Já se consegue perceber metade do dialeto, os outros 50% ainda parecem ser numa língua estrangeira. É uma fase de grande evolução em termos de vocabulário, longe vai a fase do “papá” ou “mamã”, agora já aparece, antes dessas palavras, um “eu” ou “tu”.
Hoje o “lá fora” chama-se Reino Unido, tenho notado alguma preocupação nas pessoas perante as notícias pandémicas que chegam de terras de sua majestade. Ao analisar a situação com algum distanciamento, os ventos internacionais não parecem ser muito preocupantes para a “tugalândia”.
O Reino Unido, ao contrário das recomendações internacionais e com cerca de 39.500 novos casos diários de infeção, desconfinou totalmente no passado dia 19 de julho. Desde aí, apenas tiveram um dia, no início de setembro, com o número a superar as 40.000 infeções diárias. Em outubro, a situação parece estar novamente a piorar, desde o passado dia 13, a barreira dos 40.000 tem sido sistematicamente galgada. É verdade que esta subida recente ainda não atingiu os 68.000, o “recorde” registado no dia 8 de janeiro, mas mesmo assim tem sido alvo de preocupação. Hoje, 21 de outubro, o Reino Unido reporta 52.009 novos casos, atingindo o maior número desde julho. O governo britânico já veio anunciar que nas próximas semanas o número de novos infetados poderá atingir os 100.000 casos diários.
O que está a originar o aumento de casos no Reino Unido?
Deixarem de usar máscara?
Segundo os dados disponíveis, os suecos e os holandeses também deixaram de usar máscara, mas mesmo assim estão a ter um número de infeções bastante inferior aos britânicos. O não uso de máscara poderá estar a influenciar a atual situação.
Aumentarem o convívio social?
Os dados não mostram alterações nos padrões sociais individuais, ou seja, a população tem tido exatamente a mesma vida social que tinha em agosto e setembro, altura em que os números eram significativamente mais baixos. Mas há que referir que aumentaram significativamente os eventos culturais e desportivos que juntam milhares de pessoas.
Fim do teletrabalho?
O regresso dos funcionários ao trabalho em regime presencial tem sido feito de forma lenta e progressiva, dificilmente explica esta subida repentina.
Número de pessoas vacinadas baixo?
Neste momento o Reino Unido tem cerca de 67% da população com a vacinação completa, sendo que 80% da população adulta já está vacinada com as duas doses. Quando comparado com outros países, que apesar de terem um menor número da população vacinada têm menor número de novos infetados. Parte da explicação poderá estar relacionada com este facto.
Baixa taxa de vacinação na população mais jovem?
Apenas 30% dos jovens entre 12 aos 17 anos estão vacinados. Esta também poderá ser uma variável significativa.
Perda de imunidade com o tempo?
Vários estudos têm confirmado o que já se suspeitava, alguns meses após a toma das vacinas, o nível de imunidade tem tendência a diminuir e, se pensarmos que o Reino unido foi um dos países que mais cedo começou a campanha de vacinação, pode fazer sentido que esta variável, em parte, explique a situação.
Nova variante?
Conhecida como AY.4.2, de momento ainda não é considerada uma variante, mas sim uma sub-variante da Delta, embora exista a possibilidade de nos próximos meses a situação possa ser alterada. De qualquer forma, a prevalência dessa sub-variante nos novos casos positivos é de apenas 6%, portanto, não explica a atual subida.
Será que a vacina Astrazeneca tem a mesma eficácia contra a variante Delta?
Um estudo feito pela Universidade de Oxford e publicado na The New England Journal of Medicine, concluiu que as vacinas da Pfizer e da Astrazeneca são eficazes contra a variante Delta, mas o nível da proteção tende a cair com o tempo. Não é possível culpar a eficácia das vacinas.
Governantes portugueses e DGS por favor retenham o próximo parágrafo!
Para os especialistas, a explicação da recente explosão do número de novos positivos no Reino Unido está relacionada com o número reduzido de pessoas que usam máscara, o aumento das aglomerações sociais, a perda de imunidade após seis meses e a baixa taxa de vacinação entre os jovens.
Uma coisa é certa, 90% das pessoas hospitalizadas por motivos de covid-19 no Reino Unido não está vacinado, independentemente de tudo o resto, a vacinação continua a ser fundamental no combate à severidade da doença.
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