As Nossas Emoções

As Nossas Emoções

Novamente as emoções. Já aqui falámos, por diversas vezes, delas. Inevitavelmente regressamos a este lugar interno, pois elas permeiam-nos, são vida em movimento, compõem o nosso tecido relacional. Mais do que algo individual, as emoções tecem-se na conjugalidade das sensações, do sentimento e dos afetos que circulam entre as pessoas, o ambiente e o próprio.

Ganham forma na moldura do cuidado. É o cuidado entre pessoas que lhes dá sentido, que orienta o destino da sua expressividade. Destino que se manifesta no sentido do comportamento quotidiano, na finalidade da conduta. Através das relações humanas, damos tonalidade à emocionalidade, que, por sua vez, dá um tom próprio ao ambiente afetivo vivido. As emoções são agradáveis ou desagradáveis, com potencial positivo ou negativo, e é o contexto, o conteúdo, a intensidade e a durabilidade que lhes conferem tendência e valoração.

No âmbito das relações humanas, o respeito mútuo, ou a sua ausência, funcionam como reguladores emocionais. Como parte de uma dinâmica relacional coletiva, as emoções mal cuidadas prejudicam a comunidade. Não prejudicam apenas o indivíduo de forma isolada.

A emoção é coletiva, não apenas individual. É aquilo que uma pessoa sente e aquilo que ecoa na comunidade. Por isso, quando alguém sofre, todos têm uma certa responsabilidade em apoiar e acolher. Sentir, escutar e acolher são destrezas essenciais à integração. Habilidades que se constroem na relação. Ninguém aprende a cuidar-se sozinho. Todo o autocuidado é um heterocuidado, um cuidar com, um cuidar na relação.

Do ato de cuidar fazem parte a abertura ao diálogo, o desenvolvimento da empatia e a criação de laços e vínculos que edificam a humanidade potencial presente em cada pessoa. Num cuidar humanizado, tecem-se laços com rosto humano.

Como movimento vital, as emoções partilham-se, expressam-se através da troca, da palavra e do gesto. São movimento que vai do interior para o exterior, tal como a palavra, que é sopro que ganha voz, sentido e significado quando partilhada. Assim, as emoções são parceiras da palavra e da fala. Dão-lhe tom, intensidade, cor, vivacidade, individualidade e singularidade.

Expressar sentimentos não deve ser encarado como fraqueza, mas como uma forma de criar humanidade conjunta, como um modo de permitir que cada um conte a sua história. O encontro humano deve ser um lugar de afetos fluidos, onde a emoção do outro possa ser validada sem julgamento.

Como vida em movimento, a emoção deve ser entendida como uma energia que circula. Se for reprimida, bloqueia. Se for partilhada, transforma.

Na atualidade, o grau de iliteracia emocional é elevado. As emoções continuam a causar medo ou, pior ainda, permanecem estrangeiras ao próprio. Requerem conhecimento e reconhecimento. No âmbito da Psicologia Emocional, conhecer é entrar em contacto; reconhecer é identificar. Como costumo dizer, só se reconhece o que se conhece. As emoções incomodam porque, para muitos, o contacto consigo ainda representa um grande desafio.

Conhecer-se é dar-se conta, isto é, prestar atenção a si, entrar em relação consigo, com os outros e com o mundo. Quando falamos de autoconsciência, falamos de uma competência emocional essencial para desenvolver uma inteligência emocional saudável. Significa conhecer, interpretar e enfrentar sentimentos próprios e alheios.

Trata-se de algo que não é autogerado. A autoconsciência nasce da relação entre humanos. Conhecer-se não é apenas olhar para dentro, é, sobretudo, olhar para a qualidade das relações que estabelecemos.

Uma boa forma de medir o grau de conhecimento de si é tomar contacto consigo. Podemos aprofundar essa consciência respondendo a algumas questões essenciais:

Qual o impacto que tenho nos outros?
Como me ligo e me conecto comigo?
Como posso ser uma presença nutridora nas relações que estabeleço?

As emoções servem como guia e medidor da qualidade dos vínculos que construímos. Podemos trabalhá-las através do reconhecimento de uma dignidade comum. Qualquer forma de divisão ou exclusão do outro é sempre uma forma de alienação emocional, uma recusa de uma humanidade partilhada.

Reconhecer a dignidade comum significa ver a humanidade do outro e ser reconhecido mutuamente.

Em suma, as emoções são um bem coletivo, uma via para o cuidado mútuo, uma energia que se quer partilhada. São movimento de vida que exige expressão e acolhimento conjunto. Podem e devem ser um caminho para reforçar uma humanidade que se deseja inteira e íntegra.


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