256 anos de automóvel: da carroça a vapor à revolução energética

256 anos de automóvel: da carroça a vapor à revolução energética

256 anos depois… quase tudo igual!

Volvidos 256 anos, em pleno século XXI, a mais-valia de ter um automóvel continua a ser inquestionável. Foi, e continua a ser, uma das maravilhas da tecnologia que veio revolucionar de forma irreversível o conceito de transporte. Brindou-nos com uma liberdade, autonomia de mobilidade e qualidade de vida incomparáveis, sobretudo quando comparadas com as carruagens puxadas por animais.
Em contexto laboral ou de puro lazer, poder ir onde e quando se quer, com segurança e conforto, sem depender de transportes públicos, dos seus horários e periodicidade, continua a ser algo extraordinário. Com a banalização do uso diário, muitas vezes não damos o devido valor ao real impacto que este veículo tem nas nossas vidas.

Quando olhamos para a origem do automóvel, normalmente os nomes Gottlieb Daimler e Karl Benz sobressaem, embora nem um nem outro possa ser considerado o “pai” do automóvel. A razão da sua fama e importância histórica prende-se com o facto de, no final do século XIX, terem sido pioneiros na criação do motor de combustão, anunciando o que viria a ser o futuro da indústria automóvel.

Assim, torna-se inevitável a pergunta: afinal, quem é o verdadeiro “pai”?

Temos de recuar 256 anos. O primeiro veículo autopropulsionado surgiu em 1769: um triciclo equipado com um motor a vapor, concebido por um engenheiro francês de 44 anos, Nicolas-Joseph Cugnot. A “criança” foi baptizada com o nome Fardier (carroça a vapor), encontrando-se actualmente exposta no Musée des Arts et Métiers, em Paris.

O Fardier foi construído no Arsenal de Paris pelo mecânico Brezin, sob a orientação de Cugnot, e foi utilizado pelo exército francês para puxar canhões. O veículo conseguia atingir a surpreendente velocidade de 4 km/h, mas tinha de efectuar uma paragem de quinze em quinze minutos para reabastecimento. Digamos que o maratonista mais rápido do mundo conseguiria terminar uma corrida primeiro do que este veículo, tendo em conta a velocidade atingida e as constantes paragens.

No ano seguinte, o mesmo engenheiro construiu um novo modelo, este sim, capaz de transportar quatro pessoas.

Foi também Cugnot o primeiro motorista a provocar um acidente, ao embater contra um muro. Há que reconhecer que foi um pioneiro a vários níveis.

Durante os primeiros anos da história do automóvel, todos os veículos utilizavam motores a vapor. Contudo, este tipo de motor revelou não ser a melhor solução devido ao seu peso elevado. Não é, portanto, de estranhar que, cem anos depois, no final do século XIX, todos os automóveis evoluíssem para motores de combustão, dando início à era do petróleo.

Em Portugal, a história da condução de veículos automóveis começou de forma atribulada, segundo os relatos da época. À luz do distanciamento actual, diria até que começou de forma bastante cómica.

Em 1895 chegou a Portugal o primeiro automóvel de sempre, um Panhard & Levassor, marca de origem francesa. O seu dono e importador foi o 4.º Conde de Avilez, Jorge de Avillez de Sousa Feio. Logo à chegada surgiram problemas, uma vez que, na alfândega, o automóvel causou estranheza e foi confundido com uma máquina agrícola.

No dia 12 de Outubro de 1895, após sair da alfândega, o automóvel seguiu para uma oficina em Lisboa. Consta que não foi nada fácil conseguir ligar o motor. O petróleo colocado no depósito impediu o arranque da viatura. Só após perceberem que funcionava a gasolina é que a “magia” aconteceu.

O conde precisava de levar o carro para casa, em Santiago do Cacém. Foi nessa viagem inaugural, mais precisamente na zona de Palmela, que ocorreu o primeiro acidente rodoviário em Portugal: o automóvel colidiu com um burro. O choque foi de tal forma violento que, do animal, apenas restaram alguns dentes, que ficaram cravados na grelha do automóvel.

A admiração e o horror das gentes de Palmela eram evidentes. A desgraça, em parte causada pelo excesso de velocidade à época — 15 km/h —, só ficou resolvida quando o conde indemnizou o dono do burro com 18 mil réis.

Com o século XX, a indústria automóvel conheceu uma evolução estonteante: maior capacidade dos motores, aumento da autonomia, produção em massa, mais conforto, avanços no design, segurança e tecnologia. Injeção electrónica, catalisadores, airbags e muitos outros progressos marcaram este período.
Já no século XXI, o sector automóvel atravessa uma transformação estrutural, impulsionada pela aceleração da transição energética e pelo cumprimento da legislação e das metas europeias.

Quanto ao resto, tudo permanece praticamente igual.

256 anos depois, o automóvel continua a ter uma importância crucial, tanto a nível económico — indústria, exportações e emprego — como na mobilidade individual do dia-a-dia, especialmente fora dos centros urbanos, apesar dos desafios crescentes e da necessidade de adaptação à sustentabilidade e às novas tecnologias.


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